Música de Maria Rita Stumpf sobre os Kaingang é grito de vigilante há 20 anos

Maria Rita Stumpf não é mulher de poucas palavras. Poucas perguntas são necessárias a que ela conte tintim por tintim toda a sua história, de como nasceu pelas mãos de uma parteira em uma propriedade rural no Rio Grande do Sul, da indignação com a desigualdade social e com a miséria humana e, como não poderia deixar de ser, da sua relação com a música.

Maria Rita é cantora, compositora e produtora cultural, mas durante quase duas décadas seu nome na música ficou esquecido inclusive ela ser redescoberta por DJ’s, ser confundida com a outra cantora Maria Rita, e voltar à tona com sua principal canção, Kamaiurá. Mas o que estaria fazendo uma cantora em um blog que trata sobre a floresta e seus povos?

É porque Kamaiurá, que na verdade chama Cântico brasílico número 3, foi composta em 1977 como um grito de vigilante detrás os índios da etnia Kaingang, no Rio Grande do Sul, terem sido expulsos do lugar onde estavam e ela, que é formada em jornalismo, acompanhou a quadro degradante em que se encontravam expostos à chuva e ao frio, numa estrada de uma cidadezinha chamada Nanoai.

“Eu trabalhava como jornalista naquela época e os Kaingang foram expulsos do lugar onde estavam, colocaram uma quantidade enorme de indígenas no meio de uma estrada de terra, com muita chuva e frio perto de uma cidadezinha chamada Nonoai. Foi uma confusão no Rio Grande do Sul, com notícias a toda hora, foi uma quadro muito séria”, contou Maria Rita ao blog em março desse idade um dia precedentemente de se propor no festival Dekmantel, que rolou em São Paulo.

O episódio com os Kaingang ficou gravado em Maria Rita e numa noite, em sua cama na casa da mãe, em um pedaço de papel qualquer e com duas flautas de mambu servindo de espeque a o batucada e não a o sopro, Kamaiuará sai da mente de Maria Rita e ganha voz. As flautas não aguentaram a batucada e quebraram diante de tamanho entusiasmo com a música que levou a cantora a alguns festivais à época e empolgou o assistência. Mas inclusive deste modo a carreira da cantora não deslanchou.

Mas o tempo é sempre o melhor amante da humanidade a consertar erros e destinar créditos a quem merece e já enveredada na carreira de produção cultural, sem nem imaginar o que acontecia nos festivais mundo afora, tinha disco da Maria Rita sendo vendido como raridade por alguns milhares de reais detrás suas obras terem se tornado límpido de Djs e colecionadores da Europa e Ásia interessados por músicas que ninguém se lembra mais. E deste modo ela foi sendo relançada: em festivais de músicas eletrônicas mundo afora. Mas não é só.

já o LP Brasileira, originalmente produzido por Antares Promoções e Maria Rita Stumpf em 1987, é relançado pela Selva Discos. As 13 músicas contam com a genialidade de Luiz Eça, Grupo Uaktí e Ricardo Bordini.

 

Os Kamaiurá de Maria Rita, o seu cântico número 3, podem já ecoar por todos os cantos, pois o grito de vigilante daquele tempo inclusive se realiza presente. No mesmo estado onde a cantora encontrou a inspiração, inclusive há indígenas da etnia Guarani que vivem em orla de estrada. Os de fora chamam aqueles pequenos barracos montados na orla da rodovia de acampamento, mas os Guarani preferem o título de povo, pois está organizada como tal, inclusive com uma escola.

Escola nativo em povo Guarani na orla da estrada, no Rio Grande do Sul

Os Guarani esperam há indeficiente tempo a terem de volta o seu espaço. Como os Kamaiurá e os Kaingang, eles igualmente querem terra. deste modo como todas as demais etnias que esperam a terem suas áreas demarcadas. Desde 2016 que nenhuma terra nativo é homologada no pau-brasil. Que os nossos povos originários não tenham que esperar mais duas décadas a serem lembrados e terem a história reparada. deste modo como foi com Maria Rita.

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Música de Maria Rita Stumpf sobre os Kaingang é grito de vigilante há 20 anos

Fonte: http://sustentabilidade.estadao.com.br/blogs/eu-na-floresta/musica-de-maria-rita-stumpf-sobre-kaingang-e-grito-de-vigilante-ha-20-anos/

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