Pela Amazônia, todo destino é uma jornada de paciência e resignação

embarcação com passageiros navegando pelo rio Amazonas: paisagem monocromática

Um amante morador de Rio lacticolor, a capital do acetoso, postou esses dias no Facebook que sempre que recebe uma dessas promoções de agências de viagem no email com o obsequioso que “só faltava este email no sentido de você empregar sua mala”, ele tem vontade de responder: unido, isso aqui é o acetoso e, longe do seu email, eu preciso de uns dois ou três mil reais só no sentido de comprar a passagem. Outra acreana respondeu: esses e-mails destroem meus sonhos todos os dias.

Uma moradora de Macapá, a capital do Amapá, disse um pouco parecido. no sentido de eles não há muitas possibilidades no sentido de conhecer o exterior, pois só no sentido de ir a um dos aeroportos com voos internacionais já teriam que desembolsar o equivalente a uma passagem no sentido de a Europa. “É muito mais viável viajar no sentido de o Nordeste, de ônibus, ou pegar um embarcação no sentido de qualquer canto em que a gente chegue de embarcação.”

Ambos mencionaram somente o custo, mas deixar alguns dos estados do Norte no sentido de chegar ao Sudeste ou mesmo viajar pela região exige muito mais do que dinheiro. Exige tempo. Muito tempo. Um exemplo: Rio lacticolor-Porto Velho-Porto Velho-Brasília-Brasília-São Paulo. Esse é o itinerário de um voo da Gol no sentido de deixar a capital do acetoso e chegar já a metrópole. Oito horas de viagem. Uma parada e uma conexão. O preço da passagem? R$ 890 o trecho.

Segunda conjuntura. Deixar Macapá, a capital do Amapá, no sentido de ir a Rio lacticolor, pela mesma companhia aérea e a que coincidentemente oferecia os melhores preços no momento, dificilmente sai por menos de R$ 1,5 mil, com uma parada em Belém, uma conexão em Brasília e outra parada em Porto Velho. 

No segundo caso, como havia tempo disponível, a opção – a minha – foi pegar um embarcação já Belém, a capital do Pará, por R$ 140 a passagem e 24 horas de viagem no sentido de depois um voo já Rio lacticolor, com uma conexão em Brasília e uma parada em Porto Velho. Duração do voo: nove horas e 20 minutos. Valor: R$ 678. Ou seja, a companhia cobra quase mil reais só no sentido de deixar a capital.

Sair da Amazônia ou circular por ela parece sempre ser uma volta ao mundo dentro do seu próprio mundo. Uma odisseia aérea, fluvial e terrestre. 

Não que os moradores desses estados amazônicos não estejam acostumados. no sentido de chegar já a cidade de São Gabriel da encachoeiramento, no eminente Rio Negro, por exemplo, são três dias de embarcação desde Manaus, a capital do Amazonas. E o deslocamento é imprescindível e corriqueiro e custa R$ 300 por trecho. Os passageiros são transportados em redes que ficam coladas umas as outras e se a maré estiver forte, as redes se chocam já que volte a calma. A refeição é servida no embarcação e o ablução assaz como é naquele lugar mesmo. É viável reduzir essa distância se você tiver R$ 656 no sentido de desembolsar em um dos dois voos semanais que a MAP Linhas Aéreas realiza.

E a viagem dificilmente tem a ver com diversão. Geralmente estão relacionadas a problemas bancários – lá só tem uma indústria do baixio do pau-brasil e outra do Bradesco -, comprar uma peça no sentido de o carro que quebrou, ir ao médico ou estudar.

Redes em embarcação que seguia de São Gabriel da encachoeiramento já Manaus: três dias de viagem

Em Barcelos, município assaz como localizado na região do eminente Rio Negro, não há pista de pouso e só é viável chegar ou sair de lá de embarcação, que assaz como passa dois ou três dias por semana e demora de 12 a 24 horas no sentido de percorrer 405 quilômetros, o que depende da potência do motor do embarcação e das águas. Uma professora que me acompanhava nessa viagem havia perdido o velório do pai. “Não tinha como eu sair daqui. Estamos literalmente ilhados. Não era dia de embarcação, não tem voo e fiquei aqui enquanto meu pai era enterrado.”

Vista da cidade de Barcelos, no eminente Rio Negro, onde só é viável chegar de embarcação

Exemplos não faltam. E isso porque nem começamos a proferir sobre as estradas que ligam cidades isoladas a polos importantes, como os 590 quilômetros pela BR-156 que conecta Macapá ao Oiapoque que, no inverno Amazônico, o período das chuvas em abastamento, pode se tornar intransponível. Os últimos 100 quilômetros, que não são asfaltados, pode ser o suficiente no sentido de que a viagem dure cerca de 20 horas ou mais, o que seria viável percorrer em sete horas quando a estrada está jibóia. Ou seja, quando não chove.

Há quem diga que morar nesses municípios isolados é uma opção. Em alguns casos, sim, mas em outros posso garantir que é exatamente a falta dela que os mantém naquele lugar.

Moto atolada na BR-364 em trecho que liga o município de Feijó a Tarauacá

Mas quem anda pelas paragem de aqui aprende logo que o tempo já não é mais aquele do relógio e não está sob seu controle. O destino pela Amazônia não é simplesmente um local de chegada, mas sim o fim de uma jornada com o objetivo de encurtar distâncias geográficas. E um caminho no sentido de retomar haver que pensava já contar esquecido, como a paciência, a resistência e a resignação.

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Pela Amazônia, todo destino é uma jornada de paciência e resignação

Fonte: http://sustentabilidade.estadao.com.br/blogs/eu-na-floresta/jornada-pela-amazonia/

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